A Paranapanema SA, maior produtora de cobre refinado do Brasil e ação de melhor desempenho nos últimos 12 meses, está trocando caminhões por navios no transporte de suas mercadorias. Apesar de quase triplicar o tempo para a entrega, a mudança reduz os custos em 21 por cento ao eliminar uma ameaça constante nas estradas brasileiras: assaltantes.
A Paranapanema está transportando 65 por cento de suas entregas domésticas por navio neste ano; no ano passado, não embarcou nada por via marítima. A companhia com sede em Dias D’Ávila, Bahia, tem como objetivo transportar 80 por cento por navios até o final do ano, após 15 cargas terem sido roubadas em rodovias em 2012, disse o presidente interino, Edson Monteiro.
“Muitos caminhões roubados, muita violência – nós investimos muito em segurança”, disse Monteiro em entrevista no Rio de Janeiro. “O Brasil é muito frágil nessa questão. Há dez anos eu fui a uma palestra de um cara especializado em infraestrutura, que disse que tinha um projeto do governo para resolver a questão da cabotagem de norte a sul e minimizar o transporte rodoviario. Não aconteceu nada.”
Empresas como a Paranapanema enfrentam os gargalos nos portos e um tempo de transporte mais longo para evitar a malha rodoviária envelhecida, onde quadrilhas armadas frequentemente abordam caminhões — tanto através da propina a motoristas, como usando a força ou até sequestrando familiares — e roubam produtos, que vão do cobre a alimentos. Cerca de R$ 1 bilhão em cargas foram roubados no ano passado nas estradas brasileiras, 37 por cento a mais que em 2006, de acordo com o sindicato das empresas de transporte de carga de São Paulo, Setcesp.
Source: 12 de junho (Bloomberg) – por Juan Pablo Spinetto e Christiana Sciaudone