PARANAPANEMA DEFINE PLANO DE NEGÓCIOS PARA PERÍODO 2015- 2018

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Por Olivia Alonso e Ivo Ribeiro | De São Paulo

A Paranapanema desenhou para os próximos anos um novo plano de negócios, que vai apresentar e detalhar ao mercado no início de novembro. Esse plano contempla ganho de escala, com redução da ociosidade e estabilização das operações de sua metalurgia na Bahia, queda nos custos de transformação de cobre e ganhos de eficiência energética.

Essa é a essência do Projeto Paranapanema 2018, ou PMA-2018, que foi anunciado pela empresa na véspera da divulgação dos resultados do segundo trimestre e detalhado agora ao Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, pelo presidente a empresa, Christopher Malik Akli.

O objetivo da companhia com o plano é alavancar seus resultados, que desapontaram o mercado nos últimos trimestres, e conseguir um resultado operacional que traga retorno sobre o capital investido pelos acionistas. No primeiro semestre, esse retorno, conhecido pela sigla “Roic”, foi negativo.

Akli afirma que a redução da ociosidade ajudará a alavancar as margens operacionais, pois em torno de 80% do custo da companhia é fixo. Hoje, a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) está na faixa de 5% na relação com a receita líquida.

Nos últimos meses, a companhia não tem atingido sua plena capacidade de produção. Após modernizações feitas nos últimos anos, tem possibilidade de fabricar 280 mil toneladas de catodos de cobre em Dias D’Ávila (BA). Neste ano, os volumes do segundo e do terceiro trimestres foram afetados pela troca de seu modelo de manutenção das linhas de produção, afirma Akli. Antes, os ajustes eram feitos a cada dois anos; agora a manutenção passa a ser contínua, com paradas semanais. “Tivemos alguma dificuldade para mudar de um modelo para outro”, afirma o executivo.

Akli diz que a Paranapanema também tem capacidade ociosa nas linhas de trefilação e laminação. A partir dos catodos, a empresa transforma cerca de 70% do total em laminados e trefilados, de maior valor agregado, no mesmo site, na Bahia. Em Serra (ES), fabrica conexões e, na unidade de Santo André (SP), produz laminados e tubos de cobre.

No ano passado, a Paranapanema teve receita líquida de R$ 5,5 bilhões, com geração de Ebitda de R$ 332 milhões.

O foco da empresa, a partir de agora, será transformar os investimentos feitos nos últimos quatro anos em resultados que agradem os acionistas, diz Akli. “Nos últimos anos, foi feito um trabalho interessante para estabelecer o foco da companhia no negócio de cobre e aumentar os volumes. Agora, estamos trabalhando para trazer os retornos”, afirma.

Nesse direcionamento, não estão previstos para os primeiros anos investimentos além daqueles limitados à depreciação de ativos, de cerca de R$ 110 milhões ao ano. “Rapidamente teremos geração de caixa superior à depreciação”, afirma Akli, que assumiu o comando da fabricante de cobre há um ano.

Akli afirma que a adoção do PMA 2018 está sendo acompanhada de reestruturações internas, com um ajuste no quadro de funcionários, e também da adoção de uma postura de maior transparência com investidores e analistas do mercado.

A Paranapanema, que no passado foi uma grande produtora de estanho, hoje tem 33% de seu capital nas mãos de pequenos investidores na bolsa de valores. Seus maiores acionistas são os fundos de pensão Previ e Petros, Caixa, e Bonsucex, holding do empresário Silvio Tini.

O primeiro passo para uma nova relação com os investidores, afirma Akli, será o início da divulgação, a partir de novembro, de cinco projeções que costumam ser acompanhadas nesse setor – Roic (medida de retorno do capital investido), disciplina de investimento nos negócios (“capex”), custo de transformação por tonelada de cobre processada, índice de utilização da fábrica (produção real sobre a capacidade) e despesas com vendas, administrativas e gerais por tonelada transformada.

Na teleconferência dos resultados referentes ao terceiro trimestre deste ano, marcada para 4 de novembro, a empresa vai apresentar os números previstos para cada um desses itens para 2015 a 2018. “Queremos permitir uma maior previsibilidade e voltar a ter uma comunicação mais estruturada com o mercado”, afirma.

Já as reestruturações internas incluem redução do número de funcionários terceirizados, gerentes e diretores. “Estamos primarizando o quadro, principalmente em Dias D’Ávila com a redução do número de terceirizados e o aumento da quantidade de empregados diretos em menor proporção”, disse Akli. Nos cargos de gerência, houve renovação de 40 pessoas: pouco mais de 20 trazidas do mercado e o restante promovidas na empresa.

Também foi reduzida estrutura na diretoria-executiva – de sete para cinco cargos: presidente, diretor financeiro, diretores de cobre primário e de transformados e de gestão corporativa. Deixam de existir um posto de diretor financeiro e a vice-presidência.

A empresa conta com o apoio de cerca de dez consultores da Galeazzi & Associados para colocar em prática todas as suas mudanças. O trabalho da consultoria vai durar um ano, contado a partir do início de agosto.

A companhia viu suas ações caírem fortemente na bolsa de valores neste ano e tenta retomar a confiança dos investidores com a entrega de resultados. “O momento é de consolidar resultados e dar confiabilidade às projeções. Vamos, depois, ser empurrados pelos acionistas a fazer os investimentos”, afirma o executivo.

Nascido na França, Akli é engenheiro agrônomo, mestre em bioquímica, e veio ao Brasil pela primeira vez em 1986 e passou por trabalhos na Sudene (convênio com governo francês). Em 1993, se estabeleceu no país e desde então ocupou cargos na Vivendi e Doux Frangosul. De 2006 a 2013, trabalhou na empresa francesa Louis Dreyfus Commodities (LDC), em São Paulo. Antes de ir para a Paranapanema, era presidente da Biosev, que faz parte do grupo LDC.

Source: Valor OnLine